A pandemia do Covid19 tem afectado a vida social, política e económica de grande parte das nações no mundo. Em Angola apesar de não haver muitos casos de pessoas infectadas pelo Covid19, algumas medidas de restrições sociais foram tomadas no sentido de se evitar uma contaminação comunitária. Este processo no que à educação diz respeito levou à paralisação das aulas em todos os estabelecimentos de ensino sem precedentes. Com um sistema que enfrenta muitas dificuldades em termos de utilização das novas tecnologias, com muitos alunos sem acesso ao computador, telefones e outros dispositivos afins pergunta-se: Que lições tiraremos desta experiência do confinamento social provocado pela Covid19 no melhoramento das nossas políticas educativas? Será que é desta que o País olhará para a questão das novas tecnologias no contexto escolar com mais interesse e seriedade? Depois do Covid19 o que mudará nas nossas escolas angolanas desde o ensino primário ao ensino superior?
Pensamos que a difícil experiência da covid-19 deve levar o Estado angolano a investir mais nas escolas em termos tecnológicos. Sabemos que diante de tantas outras prioridades como é o caso das crianças fora do sistema de ensino, investir nas novas tecnologias seria do ponto de vista de muitas pessoas um erro estratégico em matéria de educação no contexto em que Angola se encontra neste momento, como tantas vezes se tem criticado a "betanização" do País. Contudo, vivemos tempos novos, em que as tecnologias impõem-se por si, ou seja, perante a incerteza criada pela covid-19 e a necessidade de vivermos socialmente separados, não há volta a dar... é urgente que os professores aprendam a ensinar e os alunos a aprender de forma remota através da utilização de dispositivos tecnológicos.
Esta nova maneira de olhar para o processo de ensino e aprendizagem, com o novo modelo pedagógico de escola que daí se depreende, longe de ser catastrófico, transforma-se numa grande oportunidade de refazer e reconstruir os marcos que estão na base da emergência do ensino formal. Dito de outra maneira, é hora que romper com gramática escolar e construir escolas mais inteligentes, com horários, programas curriculares e modos de ensinar e aprender mais flexíveis, baseados nas novas tecnologias, porque ajustados aos tempos modernos que nos convocam a todos e, mais uma vez, a reaprender a estar na escola e trabalhar na escola.
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